quinta-feira, 3 de julho de 2008

Agora é minha vez

Despeço-me então do personagem noivinha. E deixo lá atrás aquele orgulho bobo de estender a mão numa mesa de bar só para mostrar a aliança que acabara de ganhar. Aquela atitude adolescente de ficar amiga do jornaleiro e perguntar mais de duas vezes por dia se já chegou a edição da tão sonhada revista. Aqueles papos por horas e horas, desde o taxista até os meus clientes, só para não deixar esgotar o assunto casamento.

Encarnei o personagem com seus sonhos e ilusões. Desejos e frustrações. Sorrisos e lágrimas. Fui a noiva mais noiva que alguém poderia ter sido. Por oras fui neurótica, nervosa, ansiosa, mas também fui meiga, fofa e despertei nas pessoas a certeza de que esse sonho pela tão desacreditada “união” entre duas pessoas que se amam ainda existe.

Nesses onze meses de preparação, nada, mas nada, passou despercebido. Não fui a noiva tranqüila, isso não existe. Ser noiva envolve coisas demais para tentarmos transparecer que está tudo como sempre. Bobas são aquelas que se enganam, tentando disfarçar, demonstrar força, quando na verdade não passamos de meninas frágeis. De meninas noivas. Noivas que somos.

E temos todo direito de emocionarmos com as coisas mais simples, de virar noites e noites trabalhando apenas para garantir aquele luxo bobo que fazíamos questão na festa. De ter a certeza de ter feito a melhor das escolhas ao fechar cada contrato, mas cinco minutos depois sentir uma insegurança tão grande que quase não conseguimos explicar.

Faltam dois dias. E que saudade já fica. Saudade que disputa o peito com uma alegria que parece não mais caber. Saudade de uma condição noivinha de ser indescritível. De ser tratada de forma especial, de ver seus fornecedores virando amigos, lutando para diminuir cada real excedido, se emocionado ao ouvir todas as razões porque a sua maquiagem deve receber um reforço extra para não desmanchar. Eles foram escolhidos a dedo. Não haveria de ser diferente. Compraram meus sonhos como se fossem os seus. E conquistaram a minha confiança.

Deixo com vocês agora o palco. Vou lá para trás me arrumar. Mas antes, registro aqui o meu muito obrigada. Obrigada aos que viraram parceiros, obrigada pelas amigas noivinhas e ex-noivinhas que conheci por aqui, obrigada pela torcida, pelo esforço, pelo melhor de vocês.

Eu prometo dar o melhor de mim. Prometo me fazer linda, em cada atitude. E prometo ser doce. Para você sentir de volta ao realizar seu trabalho no próximo sábado, a mesma sensação que tenho a escrever esse texto: É disso que eu gosto, é isso que me faz feliz. Eu escrevo. Dizem que é dom. Vocês ajudam princesas a realizarem sonhos. Muito obrigada por já tornar essa história tão inesquecível.

terça-feira, 24 de junho de 2008

É S ( f ) ogra!

Ainda não entendi porque todas as piadas de sogra são feitas para homens. Ou pelo menos as mais conhecidas. Até onde eu sei, ou melhor, desde quando fiquei noiva, tenho todos os motivos do mundo para acreditar que não há ser desumano pior do que aquela que colocou seu futuro marido no mundo. Não, eu não sou a Cristiane F., 13 anos, drogada e prostituída. Longe disso. Estou muito mais para Marcela C., 28 anos, batalhadora, inteligente, independente e bem sucedida. Quer dizer, bem sucedida já não sei, pois nessa batalha louca contra a possessividade não me animo nem um pouco em lutar pela vitória.

Já dei sorrisos, presentes, flores, distribuí simpatia. Já convidei para almoçar, jantar, conversar, comemorar aniversário. Já mostrei todas as minhas faces, forças e fraquezas. Já pedi ajuda, já pedi respeito e compreensão. Mas nem um “não” eu recebi. Acho que daria trabalho demais. Do lado de lá, só recebo mesmo o frio do pólo norte. E juro que andaria até lá para entender as razões de sentimentos tão feios. Sentimentos que colocam à mostra o que há de pior em mim, afinal, não há anjo que suporte permanecer tempo demais adormecido.

Faltam 11 dias. A mistura de sentimentos é inexplicável. Ansiedade, nervosismo, felicidade, medo, expectativa, frio na barriga e raiva. Raiva? Peraí, volta a fita. Esse não era para figurar no meu liquidificador de emoções. Pois é, mas ele está aí. De repente junta-se tudo, a ausência em todos os aniversários, a falta de uma lembrancinha se quer durante os Natais, a desculpa esfarrapada para não comparecer ao chá de panela e a eterna espera pela pergunta “Você precisa de alguma ajuda para o casamento?” que nunca veio.

Já gritei, já berrei, agora era hora de escrever. Pronto, esse fantasma já não me pertence mais. Exorcizei. Vou chamar Buda, Dalai Lama, Papai Papai Noel e até o Coelhinho da Páscoa. Mas prometo não parar de sorrir. Descobri o meu maior escudo. E nesse aqui, não tem tempo ruim. Muito menos frio!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O poder de um zíper

Gorda ou magra, todas já passamos por este “aperto”. Somos pós-graduadas na ginástica do jeans recém-lavado: senta, agacha, dá uma reboladinha, puxa pra cima, prende o ar, levanta e ufa! Entrou! E depois, tudo é festa, estamos lindas e maravilhosas e não há celulite, estrias ou gordurinhas extras que estrague nosso bom humor.

A coisa só muda de figura quando o assunto em questão é o vestido de noiva. Assim como o primeiro sutiã, a primeira prova a gente nunca esquece. Ela vem cercada de ansiedade. E a minha não poderia ser diferente. O calendário já não esconde mais que restam poucas semanas para o casamento e há meses esperava por ela.

Difícil disfarçar o nervosismo. Melhor abrir logo o jogo e deixar bem claro que a essa altura do campeonato você já virou uma manteiga derretida. Foi o que fiz. E me aconselharam uma música para relaxar. Agradeci, afinal seria bom ouvir o barulhinho das águas e esquecer todas as dúvidas que ainda me cercam sobre os porta-guardanapos. Só não sabia que a tal “musiquinha” era nada menos que a marcha nupcial! “Isso é tratamento de choque?”, pensei sozinha.

Vesti meus sapatinhos de cristal, mal me equilibrando nas alturas daquele salto, e subi no palquinho, já preparado com a grande estrela da noite. Respirei fundo e a costureira foi aos poucos me ajudando a colocá-lo. “Não chora, não chora”, fiquei repetindo silenciosamente para mim mesma. De repente, TCHUM! Como num toque de mágica, esqueci tudo, esqueci todos, lágrimas para que te quero. Eu só queria respirar! Meu pulmão estava esmigalhado, minhas costelinhas apertadas. Mal conseguia levantar os braços. Só pensava em como iria conseguir dançar YMCA e abraçar as pessoas mais altas que eu.

“Isso é normal, mas se você quiser eu abro 1cm”, disse a costureira, como se aquilo pudesse aliviar muita coisa. Logo em seguida me mandou descer do palquinho e caminhar. Caminhar, caminhar como? Noiva caminha? (risos) Meu pobre pezinho 34, sustentando 1,68m sob um salto 7, mais anágua, vestido e muita tensão por não conseguir respirar, mal conseguiam se mover. Mais vamos lá! Puxei a barra do vestido e ouvi “Noiva que é noiva não puxa o vestido”. Oh meu Deus, será que eu nasci mesmo para ser noiva? Anda para lá, anda para cá, mais rápido, mais devagar, vira, sobe, abaixa, levanta.....Ai que saudades da ginástica do jeans!

Claro que depois de uma hora já estava mais acostumada com aquele traje novo em minha vida, mas mesmo assim rezando pela próxima prova, onde teria ganho meu 1cm de glória. Postura, levanta o queixo, o ossinho do cotovelo encostado no ossinho da bacia, buquê não é microfone. Mais alguma coisa que eu precise saber na hora de entrar na igreja? Claro! Sorria, olhe para o Felipe no altar, caminhe suavemente, pense no nome de todas as suas amigas que estão escritos na barra do vestido....

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Não sei não

Nem florais, nem cinco mil bolinhas de homeopatia por dia. Nada mais tem adiantado, porque quando dói no coração, não tem jeito não. E o meu coração, anda precisando tirar férias, dar uma volta por aí. É impressionante a proporção que as coisas tomam quando estamos sensíveis. Protegida dentro da minha própria fortaleza, poucas coisas foram capazes de me tirar o equilíbrio. Encarei todos os desafios possíveis e imagináveis, mas quando o assunto era amor, ah, aí a casa caía.

Lembrando que eu sou capaz de chorar na mesma proporção que eu sou capaz de falar por horas e horas, já devo ter enchido de lágrimas um espaço referente ao tamanho da Lagoa Rodrigo de Freitas. O que era visível, não chegava nem perto do que acontecia dentro de mim. Ao contrário do que acontece agora. Não consigo mais disfarçar nada, um olhar, uma decepção, muito menos conter qualquer alegria.

Sim, eu estou muito feliz em realizar este sonho. Sim, há 10 meses eu só falo de casamento. Tenho chorado frequentemente, ou porque não consigo segurar a onda na hora de experimentar o véu, ou porque alguém fala comigo de uma forma mais rude. Coisas boas e ruins. Mas quando o assunto é indiferença, lá vem a rasteira. Descobri que não sei lidar com ela. Como alguém pode não estar nem aí para o dia mais importante da minha vida? E se esse alguém for muito próximo?

Ainda não descobri a receita. Só sei de três coisas. Eu não sou o centro das atenções. Ninguém é obrigado a entender e sentir o casamento como eu. Esse sonho é exclusivamente meu. E se mesmo sabendo isso, ainda magoar? Passiflorine, suco de maracujá? Não sei, você sabe?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Os olhinhos de Deus

Eles são um presente, eles foram presentes. A vida toda. Com um abraço maior que o mundo e um amor tão grande que parece não caber, Vovô e Vovó serão para sempre Vovô e Vovó. Mais que a vontade doida de casar na igreja, poder contar com eles nesse momento tão especial era uma das minhas maiores preocupações. Afinal, qual seria a razão de fazer promessas diante de Deus se eles não estivessem por lá? Que graça teria fazer uma festa enorme se eles não estivessem mesmo que no cantinho da pista remexendo os quadris? O que explicaria a minha presença ali, as minhas vitórias, a pessoa que eu sou, se não fossem eles?

Primeira neta, primeira menina, toda rosa, mimada e manhosa, soube exatamente como roubar eles para mim. Pois é, vieram muitos primos e irmãos, mas de nada adiantou. Meu cargo de preferida já estava devidamente ocupado. Cresci com papai e mamãe, casados por 25 anos, mas cresci mesmo, com Vovô paterno e Vovó materna. Foram eles que me roubaram primeiro! Ela, gordinha, branquinha, italiana, me passou sem tirar nem pôr esse gênio de mulher forte e dominante. Ele, branquinho de sardinhas, com seus olhinhos claros, me passou o lado leve da vida, tentando provar por A + B que problemas não existem.

Foram milhões de “arroz, feijão, bife e batata frita” feitos em 10 minutos para matar a minha vontade, foram trilhões de bolinhos de banana feitos na hora iguaizinhos aos da Dona Benta, foram muitos passeios à praia nas antigas jardineiras e horas e horas catando tatuís. Foram presentes, passeios, conselhos, mesadas, dinheiro escondido para comprar o lanche que queria no colégio. Foram palavras doces nos momentos em que tudo parecia estar errado. Foram brigas, conciliações e, sobretudo, apoio.

Por eles, e para eles, dou de presente minha entrada na Nossa Senhora da Paz. Dou para eles o primeiro sorriso quando as portas se abrirem, a certeza de que serão seus olhinhos que estarei procurando no caminho do altar. Procurando como uma forma de pedir sua benção. A benção dos olhinhos de Deus. Gratidão.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A monstra e (cadê o noivo?)


Calma, eu não estou ficando louca, quer dizer, estou quase lá, mas ainda falta um pouco. Se você parar para pensar, a foto ao lado encaixa perfeitamente no título que sugeri. É claro, é óbvio e faz todo o sentido do mundo, que se não fossem eles, não estaríamos aqui brincando de princesas. Se não fossem eles, o tão sonhado pedido de casamento jamais teria se concretizado. Se não fossem eles, e sua fantástica paciência, essa relação não chegaria intacta até o dia do altar. Ah, e quanta paciência!

Mas verdade seja dita: noivos são coadjuvantes. E seria hipocrisia de nossa parte não concordar com isso. Tirando o começo de tudo com o “Você quer casar comigo?” e começo de uma nova história com o “Sim, eu te aceito como minha mulher”, nós nos encarregamos de todo o resto. Não daria para dividir com outra pessoa todos os olhares, toda a atenção, todas as crises de ansiedade, todos nossos ataques de histerismo. Nós somos espaçosas, chatas, controladoras, dominantes, impulsivas.

Não, nós não somos um monstro. Somos noivas! E esse anel no dedo direito pesa, pesa uma organização de uma festa para mais de 200 pessoas, pesa mais de cem orçamentos feitos, pesa milhares de conversas e negociações, pesa o trabalho, o chefe, as cobranças, e claro, no meio disso, o namoro! Somos noivas de uma geração que ainda não definiu bem os papéis entre homem e mulher, somos super-mulheres, as novas amélias.

A gente se preocupa com tudo, com todos, e não permitimos o pobre noivo de opinar em quase nada. Na verdade, ele pode até opinar, mas a decisão final sempre ficará por nossa conta. E por isso eles são tão importantes. Eles assumem o papel mais difícil de todos e se você é filhinha de papai, sabe do que eu estou falando. Assumir esta responsabilidade não é fácil. E mesmo quando são desastrados e não conseguem encher o pneu da bicicleta nem trocar uma lâmpada com tanta agilidade quanto nosso maior ídolo, eles são fofos.

Fofos por nos agüentar, por fazer nossas vontades, por concordar que casemos até de rosa se isso nos fizer feliz. Não se importam com seus 5 segundos de fama na cerimônia, com as medidas do terno tiradas a apenas 15 dias do casamento, com 90% das fotos serem destinadas a nós. Eles só se preocupam em nos fazer feliz. Sabem que seu papel de coadjuvante é essencial nesta história. E em como nos sentimos em paz, de sabermos, que após a confusão do dia-a-dia, não há coisa melhor do que voltar para casa e deitar no seu peito, sempre aberto para nos receber. Eles são uma santidade!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Tudo muda o tempo todo

Desde que comecei a planejar o casamento sempre tive uma coisa em mente: a hora de economizar será com os convites. Conversa vem, conversa vai com algumas amigas, ouvi dizer, muito sem ter certeza de nada, que não gastaria mais que trezentos reais com os convites, que era baratinho, e que também não valia a pena investir. Boba que sou, fui isca fácil, fácil. Não posso dizer que caí em conversa de malandro, mas caí na conversa de quem teve o privilégio de ter o casamento pago pelos pais e não faz a menor idéia do que é quase enlouquecer com uma planilha do Excel do casamento.

Cheguei à loja cheia de certezas, como se já não estivesse calejada de que certeza de noiva não dura nem 30 segundos (risos). Escolhi rapidamente três modelos, um mais tradicional, um modernoso e outro mais simples, sem muitas firulas. A vendedora me passou o preço e pasmen! O cento mais barato não saía por menos de trezentos reais. Mas como assim? É mentira? Diz que você está mentindo? Eu preciso de dois centos, de onde vou tirar da festa para complementar os convites? E isso, estávamos falando do mais simples, sem naaaada de mais. Pensei, pensei, pensei, e decidi fazer o vagabundinho (o coitado ganhou esse apelido), afinal, todo mundo joga convite no lixo, é o tipo do dinheiro desperdiçado.

Ahhhhh, mas é muito fácil falar isso quando não é o seu casamento. Pensei, pensei, pensei de novo, e pedi para a vendedora anotar tudo em um papel que eu iria pensar mais um pouco. Cheguei em casa aos prantos, vim chorando da Tijuca a Botafogo, de óculos escuros no metrô, para ninguém me notar. Liguei para o meu pai e para o Felipe e a frase foi a mesma: “Mas você não sempre disse que não queria gastar um real com convites?”. Pois é, né, eu disse, e agora ainda tinha que ouvir todo mundo me lembrando sobre isso. Mas mudei de idéia, noiva muda de idéia, o tempo todo, todo o tempo. Não te contaram isso?

Fiquei dois meses na crise do convite, e agora, olhando para trás, foi uma crise bem patética, bem coisa de noiva mesmo. O mundo acabando lá fora e eu sem dormir por causa de um monte de papel. Decidi ver os convites de novo, desta vez na minha casa. Veio uma vendedora fofa, numa sexta- feira à noite, a única hora que a jornalista aqui não trabalha. E quem disse que todo mundo joga convite de casamento fora? Doente que sou por entrar na igreja desde pequena, tinha todos os convites das minhas amigas casadas, mais de dez, tudo organizadinho na gaveta. Peguei todos e joguei em cima da mesa. “Olha, elas não gastaram mais de trezentos reais com isso aí”.

“Mentira!”, disse a vendedora, e foi me explicando, tim tim por tim tim, o peso dos papéis, o tipo dos papéis, a tinta, a fonte, o holograma, relevo seco, 180 gramas, 220 gramas, com envelope, sem envelope, colorido, com desenho....Ahhhh, tá bom, tá bom, elas devem ter mentido para mim. Vou fazer o que eu quero, do jeito que eu quero, porque alguma neurótica há de guardar o meu convite também. E sem esquecer aquela máxima, né, meninas? A GENTE SÓ SE CASA UMA VEZ! Depois eu me viro em dinheiro, dou cambalhota, toco violão na rua, sei lá, sei lá.